
“O psicótico vive no temor da queda (pelo que as várias psicoses não seriam senão defesas). Mas o receio clinico de uma queda, é o receio de uma queda que já se experimentou (
primitive agony) […] e há momentos em que um paciente sente a necessidade de lhe dizerem que a queda, que ele tanto teme e que lhe mina a vida, já se verificou. O mesmo se passa, parece, com a angústia de amor: é o receio de uma perda que já se verificou, desde a origem do amor, desde o momento em que eu estava em êxtase. Era preciso que alguém me pudesse dizer: «Não esteja angustiado, você já a perdeu».”
Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso
A perda, como perda que é, não tem valor nem quantitativo nem emocional, para quem já perdeu.
Assim, a opção pela perda é uma dor menor (porque já conhecida) do que o êxtase da vitória, o extravasar, incomensurável à própria vida (porque ainda desconhecidas).
Haverá medo da vitória desconhecida?
Haverá perdas iludidas?
Haverá… desvias-te…?
- bang! impacto angélico – e a vitória não era noutra direcção.