quinta-feira, março 30, 2006

Dá-me Força!...

Fere
fere a raiz da miseria
no meu coração

Dá-me força
para levar facilmente
as minhas alegrias
e os meus pesares

Dá-me força para que o meu amor
produza frutos úteis

Dá-me força
para nunca renegar do pobre
ou dobrar o joelho
ao poder insolente

Dá-me força
para levantar o meu pensamento
sobre a mesquinhez quotidiana.

Dá-me força, por fim
para,apaixonado,render a minha força
à tua vontade.

quarta-feira, março 29, 2006

Rivoli à venda...

Primeira medida acertada do drº Rui Rio, um teatro que está praticamente fechado, só dá despesa, só umas elites lá vão ver o que não há, por isso com a venda, é menos uma dor de cabeça para a Camara Municipal do Porto, encaixa-se dinheirito, e sei lá, pode-se fazer um condominio de luxo, um bordel, enfim algo que vá contra a desertificação da baixa...

Amantes imediatos


H - Sei que seremos futuros amantes...
M - Como podes ter tanta certeza?
H - Porque a necessidade aguça o engenho...
M - Há muito que há lapiseiras baratas no mercado...
H - Porque não confias no futuro?
M - Porque a esperança foi a pior das maldades libertadas.
H - Como consegues acordar no dia seguinte?
M - Porque esqueço-me sempre de viver um pouco mais.
H - Que queres dizer? Que viver é um exercício de morte?

M - Cala-te e beija-me!





extracto do diário íntimo de um fauno desconhecido

segunda-feira, março 27, 2006

Construção do amor

O amor construído não existe, porque as estruturas não têm conteúdo, são ocas de ferro e sonho.

extracto do diário íntimo de um fauno desconhecido

sábado, março 25, 2006

Mensagem Internacional do Dia Mundial do Teatro 27 de Março de 2006


Mensagem de: Victor Hugo Rascón Banda

UM RAIO DE ESPERANÇA

Todos os dias devem ser dias mundiais do teatro, porque nestes vinte séculos, a chama do teatro sempre esteve acesa nalgum recanto da terra.

Ao teatro sempre foi decretada a morte, sobretudo com o aparecimento do cinema, da televisão e agora dos meios digitais. A tecnologia invadiu os cenários e desfocou a dimensão humana, procurou-se um teatro plástico, próximo da pintura em movimento, que distanciou a palavra. Apareceram obras sem palavras, ou sem luz ou até sem actores, só maquinaria e bonecos numa instalação com múltiplos jogos de luzes.

A tecnologia tentou converter o teatro em fogo de artifício ou em espectáculo de feira.

Hoje assistimos à volta do actor face ao espectador. Hoje presenciamos o regresso da palavra frente ao cenário.

O teatro renunciou à comunicação de massas e reconheceu os seus próprios limites, que lhe são impostos pela presença de dois seres que se confrontam e se comunicam sentimentos, emoções, sonhos e esperanças. A arte cénica está a deixar de contar histórias para debater ideias.

O teatro comove, ilumina, incomoda, perturba, exalta, revela, provoca, transgride. É uma conversa partilhada com a sociedade.

O teatro é a primeira das artes que se confronta com o nada, as sombras e o silêncio para que surjam a palavra, o movimento, as luzes e a vida.

O teatro é um facto vivo que se consome a si mesmo enquanto se produz, mas que renasce sempre das cinzas. É uma comunicação mágica em que cada pessoa dá e recebe algo que a transforma.

O teatro reflecte a angústia existencial do homem e desvenda a condição humana. Não são os seus criadores quem fala através do teatro é a sociedade do seu próprio tempo.

O teatro tem inimigos visíveis: a ausência de educação artística na infância, que impede de descobri-lo e gozá-lo; a pobreza que invade o mundo, afastando os espectadores das salas, e a indiferença e o desprezo dos governos que devem promovê-lo.

No teatro já falaram os deuses e os homens, mas agora é o homem que fala aos outros homens. Por isso o teatro tem de ser maior e melhor do que a própria vida. O teatro é um acto de fé no valor da palavra sensata num mundo demente. É um acto de fé nos seres humanos que são responsáveis pelo seu destino.

É preciso viver o teatro para entender o que nos está a acontecer, para transmitir a dor que está no ar, mas também para vislumbrar um raio de esperança no caos e no pesadelo do quotidiano.

Vivam os oficiantes do rito teatral ! VIVA O TEATRO !

Convidamo-vos a utilizar esta mensagem para celebrar o Dia Mundial do Teatro, incluindo com a mensagem, o texto seguinte:

“O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro (ITI). O Dia Mundial do Teatro celebra-se anualmente a 27 de Março pelos Centros ITI e pela Comunidade Teatral Internacional. Organizam-se diversos eventos nacionais e internacionais para assinalar a ocasião.

Um dos mais importantes é a circulação da Mensagem Internacional tradicionalmente escrita por uma personalidade de teatro de estrutura mundial a convite do Instituto Internacional do Teatro”.

Victor Hugo Rascón Banda

Tradução de: Carmen Santos


sexta-feira, março 24, 2006


H - A menina dança ou é contemporânea?
M - Danço na curva do tempo...
H - E há espaço para tal?
M - Depende da proximidade...
H - A cumplicidade conta?
M - Por vezes... outras só atrapalha...

extracto do diário íntimo de um fauno desconhecido


quinta-feira, março 16, 2006

Vai para o cesto da gávea...

Segundo autores conceituados,nomeadamante da Academia Portuguesa de Letras,a palavra caralho designava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas,tambem conhecida como gávea.Este local,nada agradável,era por isso mesmo considerado lugar de castigo,daí venho a expressão:mandar para o caralho...
Apoiando-me nestes historiadores nada de mais eu mandar o Sócrates para a cesta da gávea,ou por outras palavras:Sócrates vai para o caralho!...

terça-feira, março 14, 2006

Para não morrer.....

Quem morre ?

"Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,quem não encontra graça em si mesmo...Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindotodos dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca avestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece...Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando esta infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua ma sorte ou da chuva incessante... Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de inicia-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagamsobre algo que sabe... Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivoexige um esforço muito maior que o simples facto de respirar! Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndidode felicidade!"

Pablo Neruda

sábado, março 11, 2006

Para quem tem duvidas...

Para quem tem duvidas na defesa que o bloco de esquerda faz para a legalizaçao do haxixe,e os efeitos na longevidade da humanidade,esta foto manda abaixo os mais cepticos...

sexta-feira, março 10, 2006

Formalidades...



Deixa-me ser teu amante... pedia o pretendente.

A mulher hesitava ... mas não dizia que não. Os cumprimentos eram dados no canto da boca, existiam como ser que vivia dos olhares dos dois, nos silêncios espessos que se construíam ano após ano, numa intensidade imensa.

O chá era o convite dos dois... vamos tomar o nosso chá? era o pretexto de sempre, os olhares testando os limites comunicativos do corpo, como se este fosse feito para estar calado perante o belo ou o prazer.

Deixa-me ser o teu amante... repetia o pretendente.

A mulher hesitava... mas não dizia que não. Os outros dias eram vividos com outras mulheres, os espaços eram sempre plenos de pequenas esperanças, várias possibilidades, mas recorrentemente as vãs tranças que acompanham o defenestrar daquele olhar feminino fugidio para um vazio, no enfiamento de um rumo sem meta prevista, traçavam esses mesmos espaços... Ele esperava uma nova cumplicidade e nada ardia nesse sentido... Chá? sim, pois claro... um dia feliz.

Deixa-me ser o teu amante... sussurrava o pretendente.

A mulher sorria... mas não dizia que não. Os silêncios espessos apareciam logo ali, no fim dos sorrisos... os olhares penetravam-se fundos, os corpos de ambos falavam-se, por entre a neblina do chá, pelas mãos dadas, pelo beijo não dado... “a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo” ... ambos sabiam que se iriam defenestrar nesse momento de dádiva. Seria o medo do principio do fim da cumplicidade?

Deixa-me ser o teu amante... ela não dizia não. Apenas deixava-se estar junto da mão que cúmplice ajudava a atravessar dias felizes, momentos fugazes de tudo que todos carregam nos olhares perdidos juntos ao vidro dos autocarros, embalados no movimento de reluzes... olhares fugidios que assaltam as ruas quase desertas, cheias de corpos para usar. Solidão ambos sentiam, como o gato que regressa depois de uma noite sem caça... e assim foi a primeira vez que os seus corpos falaram mais alto, num ir mudo os ventres foram, tocando-se. Era a verdade, depois da evidência, que viam agora? Silêncio espesso, escorregava no lugar das lágrimas secas, soldadas com sal. Tanto tempo e tudo no mesmo passo?

H - Deixa-me ser teu amante... hoje.

M - Irmos para a cama hoje, não passa de uma mera formalidade.

excerto do diário íntimo de um fauno desconhecido

quinta-feira, março 09, 2006

Coisas boas...

Como já nao escrevia aqui algum tempo,resolvi partilhar coisas boas...
Tomar um chã na "rota do chã",onde podemos encontrar as famosas plantas de todo o mundo,ir ver o ultimo filme do woody allen,ir as quintas a serralves ouvir o ciclo de conferencias,ir dançar à 2 horas da manhã ao "tendinha dos clérigos",ir ver o oxigénio ao teatro campo alegre,ir à casa da musica ouvir os irmãos catitas,passear ao fim da tarde nos jardins do palácio de cristal,ouvir Damien Rice,ir jantar fora,e para acabar soprar no ouvido da pessoa que gostamos,para nao estragarmos tudo,evitar ouvir o Pedro abrunhosa no "Nós estamos aqui..."

quinta-feira, março 02, 2006

Uma frase...














"O homem não pode ser nem existir sem cultura"