Em continências
De tanto nos contermos, de tanto em continências nos mantermos, este é o espaço onde podemos baixar a guarda, respirar fundo e extravasar pensamentos de olhos fechados.
sexta-feira, novembro 24, 2006
quarta-feira, novembro 22, 2006
domingo, novembro 19, 2006
E não interrogo mais...

Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligencia do abismo.
Não sei onde ela me levará, porque não sei nada...
Para todos nós chegará a brisa, descerá a noite e chegará a diligençia.
Gozo a brisa que me dão, e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais, nem procuro...
Fernando Pessoa
sexta-feira, novembro 10, 2006
Emoção inclusa
Inclusa. É como a emoção se encontra quando escrita. Na parafernália que a escrita e as escritas esgrimem, a emoção permanece inclusa, exaltando palavras que se inserem num contexto paralelo à realidade, ganhando anima quando lidas. Porém, quem empresta essa anima: o leitor ou o autor?
Acredito que seja um esforço a dois, mesmo que a leitura deturpe o escrito, mesmo que a escrita seja, necessariamente, assíncrona; as palavras quando lidas transformam-se num lugar de encontro de ânimos, às vezes síncronos entre o leitor e o autor, outras vezes palco de gládios sem fim, que prometem relações de amor/ódio eternas.
Por isso, um livro é sempre um instrumento perigoso e a sua leitura a manobra mais arriscada: mexer na emoção inclusa é mexer em matéria vivíssima latente, ao qual o corpo nunca se adaptou, nem a emoção se conteve, corpo que em contacto com tal se pode desfazer, finar. Porque a emoção extravasa além dos limites do corpo, sendo por isso mesmo infinita.
