quarta-feira, maio 31, 2006

Quero o infinito!...

Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço-

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.

Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 24, 2006

Um homem honrado In Jornal de Notícias, 23/05/2006

*Tenho Rui Rio na conta de um homem sério, "an honourable man", o que, nos dias que correm, não é pouca coisa. Só que ser sério não chega, pelos vistos, para ser um bom presidente de Câmara. Às vezes (passe o cinismo) a seriedade dir-se-ia um empecilho. Como nos tempos de Maquiavel, "todos compreendem como é digno de louvores um príncipe quando cumpre a sua palavra e vive com integridade e não com astúcia; no entanto, a experiência de nossos dias mostra haverem realizado grandes coisas os príncipes que, pouco caso fazendo da palavra dada e sabendo com astúcia iludir os homens, acabaram triunfando dos que tinham por norma de proceder a lealdade." Ao ponto a que chegou a latino-americanização do país, o autarca modelo é hoje o Ademar de Barros do Brasil dos anos 50, o do "roubo, mas faço!". Também há-de haver (que sei eu?) os que não roubam e fazem, e os que roubam e não fazem, e os que nem roubam nem fazem. Rui Rio é um caso absolutamente à parte, não rouba e desfaz. A Avenida dos Aliados e o deserto em que a cidade se tornou depois do "boom" de 2001 ficam como paradigma da sua gestão. Agora foi a Feira do Livro a perder apoio camarário. Como a Polícia de São Paulo, a política cultural de Rui Rio é "Mexe? A gente mata!".*

Lá, as serpentes não têm dentes...


"Então eu disse-lhe:

- Desisto!
Desisto de ti.
Desisto de esperar.

Sei que somos a nossa memória, mas não quero o meu futuro fique contagiado pelo medo já tido.

Quero ir para onde a foto anuncia.


... pode ser que me encontre por lá."






extracto do diário íntimo de um fauno desconhecido.

sábado, maio 20, 2006

Não feches as asas!


Ainda que a noite chegue lenta,
ainda que os outros pássaros
tenham ido dormir
meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

Onde está a verde praia cheia de sol?
Onde está o teu ninho?
Meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

Nem a esperança nem o temor são só teus!
Não há para ti palavras
Meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

quinta-feira, maio 18, 2006

E a resposta não telefona...


Salvo a estranheza do olhar, sei que me queres por perto… estarei a delirar?

Quererei eu ver a mais?

Quando sei que me queres?

Quando… o tempo no espaço concedido é escasso…

adiar-nos-emos sempre.

Cumpre-nos pôr fim, um ao outro?

Não valeremos a pena de morrer, agora?!

terça-feira, maio 16, 2006

Palavras, maçãs de actos.


Pedem-te: não morras hoje!

E tu anuis, com todo prazer!



Dizem-te: en guarde!

E tu sorris, cúmplice.


Elevam-te: amo-te!

E tu lá, já não estás.

sábado, maio 13, 2006

Planos dos Planetas


“Nesta quarta-feira, 03/XY, o planeta Vênus ingressou no signo de Áries. No simbolismo astrológico, a “Estrela Dalva” representa o amor-próprio, as pessoas e coisas que valorizamos, nosso magnetismo pessoal, o modo como lidamos com os relacionamentos, o senso de harmonia, os padrões estéticos que norteiam a idéia de beleza e as fontes de prazer. Este planeta é o astro mais reluzente e brilhante do céu depois do Sol e da Lua. Já Áries, o primeiro signo da mandala zodiacal, contém um universo de significados que se associa à força de nosso ímpeto pela sobrevivência, fazendo com que venhamos nos sobrepor aos desafios que a vida coloca diante de nós e do nosso organismo.

Vênus permanecerá no signo de Áries até o dia 29/XX. Este é um trânsito que cria um quadro onde o impulso para os relacionamentos e a busca direta das coisas que prezamos e queremos se mostra de modo muito mais evidente. A abordagem que fazemos às pessoas pode se revelar rápida e ardente, com ênfase na parte física e sexual dos envolvimentos. A tendência é não ceder diante de possíveis entraves e obstáculos da parte alheia, seja nos relacionamentos afetivos ou nas outras formas de interação entre pessoas, o que cria um estado de coisas que pode proporcionar atritos e confrontos. Se Vênus diz “eu quero”, Áries afirma “agora!”.”

H – [telefonema] Estou… Mlan?

M – Olá H…

H – Quero-te ver …

M – [desliga a chamada]

H – [sms] Porque me desligaste o telefone?

M – [sms] porque vou foder dentro de minutos… ainda me queres ver?

H – [sms] E se eu quiser ver?

M – [sms] Não queres ser, antes?

H – [sms] Ordinária…

M- [sms] Como tu gostas, as usual

sábado, maio 06, 2006

Preciso só de ti!

Preciso só de ti!
Deixa que o repita incansavalmente.
Os outros desejos
que dia e noite me atropelam
são falsos e vãos
até ao fundo das entranhas.

Como a tempestade procura paz
quando flagela a paz
com a sua violencia,
assim a minha rebelião
bate contra o teu amor
e grita:
-Preciso só de ti!

sexta-feira, maio 05, 2006

Naifas Emocionais



Os amantes não pensem que passam incolumes ao amolar das naifas emocionais: a automutilação é prática corrente, quando a solidão encontra espaço; o crime aparece por sobrevivência. Tanto num como noutro, do corte brota o gladio de terra sangue e sal.



Sim, o amor mata por exigir vida extra... e por ele, morrem amantes íntimos.

segunda-feira, maio 01, 2006

Fala-me as palavras da tua boca.



Fala-me, fala-me!

...Como escureceu a noite

Apertarei a tua cabeça contra o meu peito,

e, na nossa doce solidão,

falarei ao teu coração baixinho...

fecharei os olhos para ouvir-te.

Não olharei para a tua cara...

Quando acabares,

ficaremos os dois mudos e quietos

Ouvir-se-ão apenas as árvores

na sombra...

Olhar-nos-emos nos olhos

e o teu manto azul

envolver-me-a como outra noite.