Strange Kind of Love
De tanto nos contermos, de tanto em continências nos mantermos, este é o espaço onde podemos baixar a guarda, respirar fundo e extravasar pensamentos de olhos fechados.
Porém, quem empresta essa anima: o leitor ou o autor?
Acredito que seja um esforço a dois, mesmo que a leitura deturpe o escrito, mesmo que a escrita seja, necessariamente, assíncrona; as palavras quando lidas transformam-se num lugar de encontro de ânimos, às vezes síncronos entre o leitor e o autor, outras vezes palco de gládios sem fim, que prometem relações de amor/ódio eternas.
Por isso, um livro é sempre um instrumento perigoso e a sua leitura a manobra mais arriscada: mexer na emoção inclusa é mexer em matéria vivíssima latente, ao qual o corpo nunca se adaptou, nem a emoção se conteve, corpo que em contacto com tal se pode desfazer, finar. Porque a emoção extravasa além dos limites do corpo, sendo por isso mesmo infinita.