sexta-feira, junho 03, 2005

A Diferença do Tempo

Ontem, depois de um espectáculo de marionetas japonesas é que descobri a diferença entre o oriente e o ocidente. A diferença mora no tempo.

Nós, contamos o tempo;
Eles descontam.

Só assim se pode compreender o espectáculo de ontem.... tenho a ligeira impressão que um terço da plateia fugiu no intervalo....

3 Comments:

At 11:43 da manhã, Blogger Etelbina said...

O Tempo perguntou ao Tempo quanto tempo o Tempo tem. O Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem tanto tempo quanto o tempo Tempo tem.

Onde é que está a diferença ?

Talvez unicamente nos olhos em bico e talvez por isso mais de metade da plateia tenha saido no intervalo.

Resta saber como estavam os olhos dos que chegaram ao final. Tu chegas-te ? Como ficas-te ? Manda uma foto.

Ou não será a sabedoria que nos é passada pelo oriente uma mais valia na luta contra o tempo medido, o valor dos dólares e a luta anti- stress ?

 
At 10:18 da manhã, Blogger Etelbina said...

Depois de ter comentado o teu texto, ontem tive a oportunidade de me encontrar com alguém que, como tu, também assistiu ao espectáculo de marionetas japonesas no Rivoli, integrado no FITEI. Não tinha os olhos em bico mas quando comentou sobre o mesmo notava-se, não só nas palavras, como na expressão o seu ar enfastiado. Fiquei a pensar....

Mas acredita que, se tivessem assistido à BERENICE, que esteve no São João,teriam adormecido. Encenação pouca, direcção de actores nenhuma, e um texto em verso alexandrino que se tornou num pesadelo com a forma como foi dito. Alguém ressonava nas primeiras filas, e embora estivesse quase no final da plateia, e a sala praticamente cheia, ouvia-se. Eu pensava: Abençoado homem que ressonas, é por ti que me mantenho acordada. Ah!... é de realçar a beleza do cenário, em cobre, que certamente custou uma fortuna e, que pelo que vimos, não se justificava. Os figurinos, alguns deles te garanto que se podiam encontrar nas lojas dos chinêses bem idênticos e certamente muito mais baratos ( o das mulheres ) quanto aos dos homens eram ainda de pior mau gosto! A luz do Worm deu algum valor ao espectáculo.

Já agora aproveito para perguntar se a geral do palco e da sala fazia parte do plano de luz ou foi propositado para ver o homem que ressonava e o rosto dos que tentavam manterem-se acordados, envergonhadamente.

E é isto uma co-produção do Teatro D. Maria e do São João e que merece as honras de uma abertura do XXVIII FITEI. É para isto ( os teatros nacionais ) que vai o maior bolo do orçamento do estado para a cultura. Vê-se muito mais teatro em certas companhias independentes e algumas delas sequer recebem subsídios do Ministério. O seu valor está aquém do entendimento dos que avaliam ou fazem os jogos do poder. É este o país que temos e como isto parece não parar, parece que é o que merecemos. Ninguém faz nada! Todos se querem dar bem!

Já agora, alguém teve oportunidade de assistir ontem ao Forum levado a cabo pelo BE, na faculdade de psicologia e ciências de educação da universidade do Porto? Tive convite, o tema parecia-me intereçante " É este o Porto que merecemos ? " a nivel da cultura, mas quando vi o nome de um dos intervenientes perdi logo a vontade de ir. Ou ia e chateava-me, ou calava-me e tinha que ir em jejum para não ter uma congestão.

Lamentavelmente nem aqui, com o pessoal do Porto estamos bem! Nem assim lá vamos!!!

E tem o descaramento de ir para um Forum destes!!!!!!!!!

Punhamos também no dia 10 de Junho uma bandeira negra pelo estado da nossa cultura.

 
At 6:57 da tarde, Blogger J. Vilas Maia said...

Eu vi a berenice... penso que mais valia ter comprado o livro. De facto foi tão pobre que o pessoal quer do balcão onde ficaram os vips, quer na plateia onde ficou a plebe como nós, aplaudiram sentaditos, e com a impressão que nada daquela encenação faria sentido... houve no entanto um espectador que bateu palmas de pé... eu vi, ele estava na primeira fila, e quando ele batia palmas, o programa dele caiu, e ele ficou entre o ir embora com os actores em cena ou ficar de pé a bater palmas... no fundo, pensava ele que toda a gente aplaudia de pé...

Quanto à sabedoria oriental.... bom, o espectáculo era um bom espectáculo, mas perdeu-se (digo eu que não percebo nada!) por ser levado à cena num palco tão grande, fazendo emergir a barreira da língua de uma forma violenta. Nem o tradutor, um japonês radicado no brasil, ou um brasileiro de segunda geração no japão (vcs decidam...) parecida o mestre miaguy daquele ícone do cinema juvenil dos anos oitenta.....enfim....

 

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