quarta-feira, abril 27, 2005

Lembro-me, mas também recordo...

Lembro-me de quando voávamos como condores.
Lembro-me de crer ser maior contigo, também...
os dois, como alados, conquistando espaço e respeito por todos concedido.
Lembro-me de sermos dados como casal,
de casa pantufa com filhos e cão...

Lembro-me de sermos, em hipótese, um casal, em Lisboa, vivendo para o trabalho.
Lembro-me de ver o meu curso por um canudo, mais apertado...
uma paixão por mim, na altura, menosprezada.

Recordo a falência daquilo que construi, nas núvens.
Recordo a vida que depositava em ti.
Recordo os sonhos que não me permiti ter...
Recordo, ainda, as vezes que indagava por mim...

Recordo os silêncios que tu sentiste, também.
Recordo a solidão que senti.
Recordo, o ouro que colhi dos nossos anos...

Recordo crer ser o que não sou hoje.
Recordo o meu renascimento...


o trespassar dos limites dados como concebidos...


Afinal, voávamos baixo, amor!

(2002)

3 Comments:

At 1:57 da tarde, Blogger FILIPE said...

Quando permitimos deixar de sonhar,voamos sempre baixo...chamem-me "louco",eu não me importo!...

 
At 3:41 da tarde, Blogger MANUELA GAVIÃO said...

Ainda sem fôlego depois dos
" Samorais " e já um outo texto
( poema ) que nos deixa plenos e tão vazios de palavras pela grandeza de quem as tão bem escreve. Lembro e também recordo... Que mais dizer Obrigado.

 
At 11:27 da manhã, Blogger MANUELA GAVIÃO said...

Os pássaros voam em bandos.
As aves voam sózinhas... por isso voam mais alto!

 

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