domingo, novembro 19, 2006

E não interrogo mais...



Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligencia do abismo.

Não sei onde ela me levará, porque não sei nada...

Para todos nós chegará a brisa, descerá a noite e chegará a diligençia.

Gozo a brisa que me dão, e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais, nem procuro...

Fernando Pessoa

1 Comments:

At 12:50 da manhã, Anonymous Anónimo said...

O amor quando se revela ´
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pr´a ela,
mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há-de dizer.
Fala:parece que mente
Cala:parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
p´ra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
o que não ouso contar,
já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a contar...

Fernando Pessoa

Mar

 

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