Moliére versus Garrett
Moliére, sentado no "olimpo dos deuses", deleita-se nestes dias de calor a observar a sua amada França, com aquele sentimento único da sua vida ter contribuído para o desenvolvimento do seu povo.Na pátria que me pariu encontro Garrett, que, se deus houvesse, estaria sentado ao lado de Moliére no descanso dos justos, a vaguear pela baixa do Porto- que tirando os telémoveis e o Macdonald´s, nada encontra de diferente dos lusitanos do seu tempo-e cansado lá vai repetindo a mesma conversa sobre a importancia do teatro, palavras essas que ninguem ouve, mas ele, incansável, não desiste...E nós?! Será que nós vamos desistir?...lembro-me das palavras de Shakespeare "somos feitos de sonho,e o sonho é feito de nós."
Alguns numeros do Ministério da Cultura de França:
O orçamento total do M.C. Francês perfaz 1% do orçamento geral do estado.
Apoia na area teatral:
-5 teatros nacionais;
-40 centros dramáticos;
-70 cenas nacionais;
-1200 companhias independentes;
-47 teatros privados;
(estes numeros foram tirados de uma conferencia no ambito do mestrado de estudos teatrais)
Percebe-se agora o ar feliz de Moliére...

2 Comments:
Basta olhar para França para vermos as consequencias deste nosso atraso e conformismo,como josé gil,lembra,nós só dizemos,"é a vida..."
Quando eu era pequeno perguntava ao meu pai o porquê chegar a Portugal tão tarde as inovações tecnológicas. Não conseguia perceber que "as coisas levam o seu tempo" e por isso era normal chegar tarde tudo o que seja inovador...
Tendo vindo a descobrir que o problema de Portugal é igual ao meu quando pequeno era: necessita de tempo para fazer qualquer coisa, e como é "coisa" demorada não há tempo a perder com qualquer coisa. Conclusão... nada se faz!
Em jeito de chalaça, posso até dizer, que o que é preciso fazer é o que não está feito.
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